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"Quando a liberdade é o limite - Antônio Olinto"

Você largaria tudo para viver grandes aventuras?

 
Exatos 46.620 quilômetros percorridos por 34 países durante três anos e meio. Este é o resumo de uma das várias viagens do cicloturista Antonio Olinto Ferreira, um paulista que, há 12 anos, comprou sua primeira bicicleta para aliviar o estresse e tentar perder uma vistosa barriguinha. Hoje, aos 37, Olinto, como é conhecido, tem um histórico de fazer inveja a qualquer pretenso aventureiro.

Formado em Direito e com um ano e meio de trâmites e processos no currículo, decidiu largar a advocacia e correr o mundo com sua bicicleta, vencendo limites e renovando, dia após dia, a certeza de sua liberdade.

Desafios, previsíveis e imprevisíveis, não faltam à sua frente, como os sete passos andinos, enfrentados em 2000; as constantes palestras e conferências (até internacionais) em que divulga o cicloturismo; ou o câncer que vem tomando todas suas atenções nas últimas semanas. Esta recente e grande batalha, similar à enfrentada pelo ícone Lance Armstrong (hexacampeão do Tour de France, a mais importante prova ciclística do mundo), Olinto planeja superar até o fim deste ano, quando pretende seguir para a Patagônia e a Terra do Fogo, onde pretende pedalar ao lado da namorada durante seis meses.

Enquanto isso não acontece, continua morando em seu motor-home, recebendo correspondências na casa dos pais, em Ipaussu, interior paulista, e incentivando mais e mais pessoas a conhecer sua paixão: o cicloturismo. Abaixo, Olinto fala um pouco sobre suas experiências ja vividas.

Foi uma decisão difícil, mas no momento me pareceu a melhor coisa a fazer, já que continuar como advogado seria só uma repetição do que já fizera por alguns anos, algo como me tornar apenas uma engrenagem do sistema. Sinto que assim como ao caminhar colocamos um passo depois do outro, naquele momento dei um passo em direção ao meu desenvolvimento e satisfação plena. E foi isso que encontrei no caminho. Mas taí um pensamento que nunca me passou pela cabeça. Nunca me arrependi nem pensei: "Ahhh! Se eu tivesse ficado...". Entretanto, muitas vezes pensei: "Ainda bem que parti no momento certo!".

Quais as principais experiências de vida que tirou dessa aventura?
Olinto - Não são poucas e um resumo delas está em meu livro "No Guidão da Liberdade". Acredito que seria injusto contar apenas algumas experiências, pois uma longa viagem de bike deve ser vista com um todo: uma soma de 1244 dias onde você anda uns 50 quilômetros em média, mas que ao final de três anos e meio temos um total de 46 mil quilômetros pedalados.

Cada paisagem, cada pessoa com que conversei em meu caminho me ajudou a compreender melhor o mundo e sua bela diversidade. Acho muito difícil falar a respeito de maior experiência. Reconheço que realizar o Caminho de Santiago logo no começo da viagem foi muito importante, pois mudou minha noção de viagem. Não buscava mais o entretenimento e, sim, procurei uma grande peregrinação. Percebi que quando se deseja trilhar um caminho ele é único e traz em si as grandes lições.

Você já se entregou a outras cicloviagens após a volta ao mundo. Qual foi a mais marcante?
Olinto - Tenho comigo que a maior aventura depois da volta ao mundo foi ter atravessado a Cordilheira dos Andes, pelos seus sete passos mais altos. Essa foi uma aventura completa, que me fez muito feliz, pois, apesar de algumas outras viagens, eu sentia muita falta de uma verdadeira aventura. Nessa eu cheguei a quase 5 mil metros, com temperaturas que variavam de menos 5 a mais de 45 graus. Atravessei campo minado, passei fome, sede, cruzei uma rodovia em que passaram quatro carros em um ano, encarei problemas de fronteira e tudo o que se pode esperar de uma grande aventura.

Num trocadilho, quais passagens de sua vida de cicloturista que "não há dinheiro que pague"?
Olinto - Quando penso que perambulo pela Terra e sigo meu destino, imagino que de alguma forma meu destino me alcançaria, mesmo que eu tentasse fugir dele. Talvez pudesse ter aprendizados belos que não em uma bike, mas há algo que o dinheiro não paga. O vigor, a disposição e a saúde que o cicloturista adquire, este sentimento de ânimo a cada manhã, é como se tudo tivesse renovado durante aquela noite bem dormida. Isso sem falar na receptividade das pessoas que só a bike pode dar.

O que conta mais em sua satisfação como cicloturista: liberdade, vencer limites e desafios, praticar esportes ou outra realização?
Olinto - A liberdade! Vencer limites e praticar esportes são importantes, mas, para mim, o melhor do cicloturismo é a sensação de liberdade.

Para ler:
Livro "No Guidão da Liberdade" = R$ 39,92
Livro "Guia de Cicloturismo - Mantiqueira" = R$ 27,92
Livro "Guia Caminho da Fé - Para Ciclistas e Caminhantes" = R$ 23,92
http://www.olinto.com.br/vendas.htm

Fontes: http://www.olinto.com.br/
http://www.revistaparadoxo.com/materia.php?ido=1324