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Campismo e a Copa do Mundo de 2014
Em maio, aconteceu um seminário internacional no Rio de Janeiro promovido pelo Ministério do Turismo, reunindo técnicos alemães e da África do Sul e representantes do trade turístico brasileiro, para conhecer a experiência da Copa realizada na Alemanha e os preparativos para o evento de 2010, que acontecerá no continente africano.
 

Copa em 2014: Expectativa de melhorias
e grande aumento na hospedagem em campings
Os técnicos alemães enfatizaram a importância na utilização de meios de hospedagem complementares como campings e albergues. Na Copa de 2006, que ocorreu em julho, desde janeiro a frota de motorhomes disponível para locação em toda a Europa já estava reservada. Essa preferência é em função da mobilidade que o motorhome oferece, aliando o meio de locomoção com a hospedagem econômica. Como os jogos acontecem em diferentes cidades, essas possibilidades são da maior relevância.

Na Copa da Alemanha ocorreu que a maioria dos turistas aproveitou a oportunidade para visitar outros países.
Campings ficaram lotados não só de motorhomes mas de campistas que viajaram com suas barracas.

Espera-se que no Brasil a quantidade de turistas estrangeiros seja muito expressiva, especialmente por via rodoviária. As ligações com o Mercosul já estarão duplicadas, a rodovia em construção ligando o Brasil ao Pacífico, via Peru, estará finalizada.

A expectativa é que os jogos ocorram entre 10 a 14 cidades. No Brasil não há uma rede de transportes públicos diversificada, como ocorre na Europa, o que ressalta a especial relevância na utilização de motorhomes para deslocamento pelo país.

Torcedores de outros países sul-americanos são tão fanáticos por futebol quanto os brasileiros, especialmente os jovens. Podemos avaliar o interesse que esse evento despertará no país, bem como o grande número de turistas estrangeiros que estarão programando viagens para assistir os jogos.

Dificuldades a enfrentar

A principal questão: existem leitos suficientes nas várias cidades para atender a demanda? Dificilmente ocorrerá essa disponibilidade, pois a expectativa é de uma demanda concentrada em curto período e a construção de novos hotéis e pousadas em número suficiente exigirá pesados investimentos.

E quando a Copa acabar, como manter a ocupação com rentabilidade?
Campings e albergues oferecem uma alternativa de menor investimento e hospedagem econômica.

Precisa ser incentivada a construção de novos campings, pois a rede existente no país é insuficiente. Após a Copa, essa rede atenderá à demanda de turismo econômico e ecológico, tendência crescente no mundo. Sem dúvida, um evento desse porte alavancará o interesse por essa forma de turismo.

Outra séria dificuldade é a inexistência do negócio de locação de motorhomes, tão utilizado em vários países por turistas nacionais e estrangeiros. Não existem locadoras de motorhomes no Brasil. Para dirigir motorhomes no país é exigida uma habilitação diferenciada para motoristas - a mesma de condutores de ônibus ou veículos de carga. É o único país com essa exigência.

Conseqüência dessa exigência absurda é que a fabricação de motorhomes ainda é limitada e artesanal, não havendo produção em série. A compra de um motorhome não é de impulso, é um investimento que precisa ser discutido com a família. Antes de qualquer decisão, o cliente potencial busca alugar um veículo para uma experiência e ambientação com a família. Turistas estrangeiros costumam consultar agências de viagens sobre essa forma descontraída de viajar tão comum em outros países, mas se decepcionam com a impossibilidade de fazê-lo no Brasil.

Estamos a cinco anos e meio da realização da Copa no Brasil, não parece, mas já é AMANHÃ, considerando as medidas necessárias para enfrentar todas essas dificuldades.

A ABRACAMPING tem acompanhado ativamente a tramitação do projeto de lei que regulariza a situação da habilitação de motoristas de motorhomes e veículos que tracionam trailers, que está há dois anos "pronto para a Ordem do Dia" na Câmara dos Deputados, mas não é votado por sucessivas obstruções de pauta. Após intensivas negociações, há uma expectativa de que o desfecho ocorra ainda nesse semestre. Mas terá que voltar ao Senado e, na melhor das hipóteses, no último trimestre essa situação estará resolvida definitivamente. Assim esperamos.

Os fabricantes de veículos de recreação devem estar atentos para a janela de oportunidades que a próxima Copa vai oferecer para o seu negócio, desde que se preparem com antecedência. Locadoras de automóveis devem começar a estudar esse novo negócio, que nos EUA representa 300 milhões de dólares anuais.

Em outubro deste ano, a FIFA definirá as cidades brasileiras onde serão realizados os jogos da Copa. Será a oportunidade para as Prefeituras e empresários dessas localidades investirem em campings, equipamentos turísticos de baixo custo em comparação a outros meios de hospedagem, e que se constituirão em suporte para o turismo local. A experiência mostra que o turista não se limita à cidade dos jogos, mas também busca visitar localidades próximas ao evento. As Secretarias de Turismo devem considerar esse condicionante para planejar uma rede de hospedagem econômica, utilizando campings e albergues nos roteiros turísticos de seus Estados.

A ABRACAMPING vem acompanhando os preparativos do Ministério do Turismo para a Copa de 2014, com o objetivo de que se estabeleçam condições para a expansão da rede de campings no país.

O sucesso dessas iniciativas dependerá do planejamento e esforço conjugado das autoridades de turismo e dos empresários do setor de campismo e caravanismo.

Luiz Edgar Tostes
Diretor da ABRACAMPING
luiztostes@uol.com.br

 

Fonte: http://www.tocaes.com/