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Petar é o paraíso das cavernas e fica perto de Ribeirão

Trilhas em meio a uma das maiores reservas de Mata Atlântica do Brasil, o desafio de desvendar cavernas, o contato com uma rica fauna e flora, banhos em cachoeiras ou a prática de esportes de aventura. Tudo em um cenário de natureza preservada há 53 anos, em pleno Sul do estado de São Paulo. Assim é o Petar - Parque Estadual Turístico do Alto da Ribeira.
O único pré-requisito para visitá-lo é fôlego e espírito aventureiro para desfrutar as belezas naturais da reserva. Na divisa com o estado do Paraná, o acesso ao parque é feito pelos municípios de Iporanga ou Apiaí, cerca de 300 quilômetros de Ribeirão Preto.
"A concentração de cavernas, a mata preservada e o fato de estar em um corredor ecológico, faz com que qualquer um queira visitar. Algumas cavernas guardam mistérios ainda não revelados, é privilégio entrar nos salões por onde poucas pessoas passaram. São ambientes pouco desvendados", comenta Vandir de Andrade Júnior, monitor local e gerente da Pousada da Diva.
Dividido em quatro Núcleos de Visitação: Santana, Caboclos, Casa de Pedra e Ouro Grosso, o sistema ajuda a controlar o fluxo de turistas e auxilia na preservação ambiental. O mais visitado é o Núcleo Santana, onde estão umas das cavernas e cachoeiras mais bonitas de Petar.
Áreas de camping
Já o Núcleo de Caboclos está no coração do Petar e, por ser o mais afastado das áreas urbanas, é o único a possuir camping selvagem (sem energia ou chuveiros), onde costumam ficar grupos de escoteiros. Cerca de 70% do parque está concentrado no município de Iporanga, que vive das atividades turísticas da reserva. Na cidade vivem cerca de quatro mil habitantes e, apesar de pequena, o seu Centro Histórico, de 1576, foi tombado pelo Patrimônio Cultural e ainda preserva casarios e a igreja matriz de Nossa Senhora do Livramento, restaurada após a queda da torre, na década de 20.
"À noite, as pessoas se encontram no Centro ou no bairro da Serra, distante 13 quilômetros de estrada de terra de Iporanga. A maior parte das pousadas fica nessa comunidade, bem próxima ao Petar e aos núcleos Santana e Ouro Grosso", explica Júnior. Iporanga e as comunidades, juntas, têm cerca de 1.000 leitos para abrigar os visitantes que se hospedam em pousadas, no único hotel da região ou nos campings com boa infraestrutura.
Outro atrativo da vida noturna é o Mirante Boa Vista, do Núcleo Santana, e do Mirante Iporanga, que permite uma visão geral da cidade. Além do tradicional "luau" à beira do rio Betari, promovido pelos guias.
Local acessível por ponte ou canoas
Muitas pessoas que visitam Petar buscam a cultura dos quilombos, que hoje possuem projetos de recepção de turistas. Uma oportunidade de conhecer como funciona a hierarquia, a religião e os costumes dessas comunidades. Eles têm equipes de turismo e monitores que explicam os costumes.
O quilombo de Ivaporunduva foi o primeiro a se organizar para visitação. Nele, além dos costumes, se pode conhecer a igreja antiga, o viveiro de mudas, as casas de pau a pique e o artesanato de palha ou fibras de banana. O acesso pode ser feito por uma ponte, mas a maioria prefere o trajeto de canoa, que atravessa o rio Ribeira de Iguape.
Turistas têm acesso a 12 cavernas
As mais de 300 cavernas de Petar são o principal foco dos turistas que visitam a reserva. Mas como forma de preservação ambiental, nem todas são abertas à visitação. Hoje os turistas têm acesso a apenas 12. E mesmo naquelas com visita autorizada, há trechos limitados, áreas restritas e o acesso só é permitido com um guia local. "O plano de manejo das cavernas está em análise pelo Ibama, no final serão 22 abertas à visitação", explica o guia Vandir de Andrade Júnior.
A mais bonita delas é a Caverna de Santana, na opinião de Júnior. "É fácil de caminhar, altera trechos altos e baixos e permite ver estalactites (formações que crescem a partir do teto da gruta em direção ao solo) e estalagmites (do solo em direção ao teto)". Seus sete quilômetros de extensão (apenas 800 metros abertos) reservam salões como o das Flores de Aragonita (que ainda estão restritos), o São Jorge e o Takeupa. Além de curiosidades como formações que se relacionam com imagens do mundo exterior, a exemplo da Pata do Elefante e o Buraco do Segredo, um lugar em que só se entra rastejando e Júnior não revela o que se vê lá dentro. "Só indo até lá para descobrir", brinca o guia.
Em Petar está também a caverna com maior portal do mundo, com 250 metros de altura, e o ponto de chegada dos turistas que fazem a trilha, a Casa de Pedra. Já na caverna Temimina, o grande atrativo são as aberturas (dolinas) no teto, que a diferencia das demais. Por conta do rio em seu interior, alguns trechos são feitos a nado ou se percorre pela água. Chegar ao pórtico de entrada da Caverna do Morro Preto já vale o passeio. A vista em contraluz da boca da caverna é um dos cartões postais do parque. Já na Caverna Água Suja, se percorre os 1.600 metros pelas água do rio Água Suja para chegar à cachoeira de mesmo nome.
Espaço para esportes radicais nas cachoeiras
Tomar um banho de cachoeira ao ar livre, em meio à mata ou mesmo na escuridão do interior de uma caverna são prazeres que o parque proporciona aos turistas. São mais de 20 cachoeiras que chegam a 50 metros de altura, permitindo a prática de esportes de aventura como cascading (descida de cascatas e cachoeiras) e rapel, como na Cachoeira das Arapongas. Para se chegar até as quedas d’água é preciso encarar trechos de caminhada por trilhas ou rios, que duram de cinco minutos a três horas.
Outras quedas, com cerca de cinco metros, permite o desfrute dos menos aventureiros. A do Couto é perfeita para banho, mas é preciso encarar a temperatura da água, gelada, porque sai diretamente da caverna de mesmo nome. Uma das mais bonitas é a Cachoeira das Andorinhas, mas a força de sua queda d’água não permite nadar na sua piscina. "O visual da Andorinha, o som da água, a vegetação e a cor da rocha, quase formando um mini cânion, a tornam a mais bonita do Petar", diz o guia Vandir de Andrade Júnior.
Descendo o rio Betari na boia
O boia cross, praticado em uma câmara de pneu de caminhão, permite a pessoas de todas as idades descerem o rio Betari. Raso e de águas tranquilas, pode ser praticado por iniciantes ou avançados, que buscam trechos de maior nível de dificuldade.

O rapel em cachoeiras e o duck, um bote inflável em que cabem duas pessoas sentadas, para descer o rio Ribeira por cerca de seis quilômetros, são outras opções interessantes.
As trilhas em si já são um atrativo em Petar, como a do Betari, que é feita sob a mata ciliar, por um vale na beira do rio e na qual se pode avistar aves como a araponga, típica da região, ou as belas e resistentes bromélias. "É excelente por estar na beira do rio, não ter grandes subidas e ao final chegar a duas cachoeiras, a das Andorinhas e do Betarizinho", explica Vandir de Andrade Júnior.
Os 30 minutos de caminhada pela trilha da Figueira compensam por passar por baixo das raízes da árvore e em frente à caverna do Ouro Grosso. Para os mais aventureiros, a trilha do Portal da Casa da Pedra é ideal por possuir trechos íngremes.

Fonte: http://www.jornalacidade.com.br/editorias/caderno-c/2012/03/03/petar-e-o-paraiso-das-cavernas-e-fica-perto-de-ribeirao.html

 

 

 


 

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